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Desde 1940, no Brasil, temos o dia 19 de abril como o “Dia do Índio, data que, em sua concepção original, seria para gerar reflexões acerca das contribuições culturais de povos indígenas à cultura brasileira, bem como o debate sobre a importância da preservação dessas.

Todo esse longo discurso idealizado, evidentemente, é muito deficitário, em relação às reais necessidades dos povos originários, no que se refere às políticas públicas.

A começar pela própria forma como essas populações são chamadas: “índios”. Esse é o primeiro, e talvez o menos agressivo, dos mitos referentes aos povos originários.

Você sabe quais são os outros?

 

1.      “Índios”: um nome genérico, para uma diversidade de povos

Desde o início da ocupação das Américas, pelos Europeus em 1492, as populações que aqui habitavam receberam, de pronto, um nome: Índios.

Por quê? Porque o objetivo principal da expedição de Colombo era chegar às Índias – nome genérico do sudeste asiático, sem passar pelos territórios dominados pelo Império Turco Otomano.

E o que se sabia sobre as Índias? Pouca coisa, trazida por exploradores como Marco Polo, mas, de maneira geral, generalidades, como pele escura, línguas diversas, e cultura não-cristã.

Logo, não devemos chamar essas pessoas de “Índios”, mas, pela classificação que são: Povos originários, fundadores, nativos ou ainda, indígenas – isso é, que são nativos de um local.

 

2.      “Um povo sem cultura”

Um dos mais cruéis mitos no que se refere às populações indígenas, é dizer que eles “não têm cultura”.

Todas as etnias e grupos étnicos humanos têm. Nem todas, entretanto, são culturas escritas com alfabetos, e essa é a principal questão sobre povos originários.

A visão colonial europeia sobre conhecimento pressupunha cultura enquanto uma série de saberes, registrados por um sistema alfabético – isso é, um símbolo equivalendo a um som.

A escrita de povos originários é baseada em outros sistemas de linguagem. E isso, a semiótica, enquanto ciência da linguagem, só viria estudar a partir do século 20.

Há, por exemplo, povos que registravam sua História por pinturas. Outros, por meio de produções têxteis. Outros utilizam esculturas.

Cada povo é uma cultura única e específica.

 

3.      Povos sem tecnologia

Uma mentira terrível, pois os povos originários das Américas, todos, têm tecnologias das mais diversas formas e complexidades.

Basta pensarmos nas imensas pirâmides astecas: como seria possível construir uma edificação daquele porte, sem tecnologias de transporte?

Além disso, todos os indígenas americanos tinham tecnologias para agricultura, construção civil, caça e produção de artefatos.

 

4.      Indígenas que usam tecnologia (“ocidental”) não são indígenas

Outro mito cruel é o que indígenas que usam tecnologias “ocidentais” (embora algumas venham da Ásia) não são mais indígenas.

Esse mito vem de uma idealização da vida dos povos originais, considerando que esses não podem acessar coisas básicas (luz elétrica, por exemplo), sob o risco de perder sua identidade.

Nativos norte-americanos, há pelo menos 50 anos, usam elas. Logo, povos nativos usam, também, celulares, carros ou computadores.

Essas tecnologias são, justamente, o que possibilita manter a identidade viva.

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