Nossa língua – como todas as outras – é um elemento cultural, que representa uma forma de entender e vivenciar o mundo que nos cerca.

Em termos práticos, isso significa que a Língua Portuguesa é construída a partir de uma forma de entendimento do mundo que passa, necessariamente, por diversos outros campos de saberes, principalmente o político.

Isso porque tudo o que envolve a sociedade é político. Logo, o desenvolvimento e evolução da língua são, também, processos profundamente políticos.

Assim, é natural que algumas palavras caiam em desuso, ou tenham seu significado transformado. Algumas delas são muito sutis e prosaicas.

Coisas como “Pândego” ou “Garboso” são notadamente antigas – e antiquadas. Seu desuso se dá pelo surgimento de palavras melhores.

Contudo, há palavras e expressões – principalmente as pejorativas – que perderam seu valor por carregar um significado ultrapassado.

Logo, deixar de usá-las não é apenas sinal de passagem do tempo – antes, é um sinal de uma transformação na forma como enxergar o mundo.

Você conhece alguns casos? Confira aqui algumas, mais comuns no dia-a-dia.

 

1.      “Dar uma de João sem braço”

Expressão que era usada para se referir a alguém que fazia um trabalho mal feito, ou assumia uma posição de indiferença ou desinformação, em relação a algum trabalho.

A expressão faz referência à Pessoas Com Deficiência, e associa à negligência a deficiência física. Logo, deve ser abolida.

Prefira um simples “Foi negligente”, “foi ausente” e similares.

 

2.      “Se fez de surdo mudo”

Outro caso em que a negligência e descaso de alguém é comparado a deficiências. Inclusive, porque, hoje em dia, pessoas surdas conseguem se comunicar quase da mesma maneira que pessoas que ouvem.

Além disso, a questão do mutismo é uma opção política adotada ou não pela pessoa surda, tendo em vista que os tratamentos de surdez envolvem técnicas para a oralização.

Logo, a condição de “surdo mudo” não é um problema.

Se alguém te negligenciar ou ignorar, fale simplesmente isso: me ignorou, me negligenciou, etc.

 

3.      Escravo

Muitas pessoas não sabem, mas a palavra “Escravo” não é mais (ou não deveria ser) utilizada. A terminação da palavra passa a ideia de que a escravidão era uma condição implícita àquelas pessoas – algo bem distante da realidade.

No lugar, cada vez mais pesquisadores e professores usam a palavra “Escravizado”. A terminação “-ado” indica que a condição foi imposta.

 

4.      Presidiário

Não é um termo errado, propriamente dito, mas ele carrega um peso simbólico agressivo.

Uma pessoa que foi presa, e que teve sua pena cumprida, não é um “ex-presidiário”: ser do presídio não é sua condição normal”.

É um ex-detento, isso é, é alguém que foi detido.

 

5.      Homossexualismo

Antes falava-se em “Homossexualismo”, quando alguém queria falar de uma pessoa homossexual. Porém, a terminação “–ismo” – que vem do grego, e traz ideia de doença ou condição física.

Além da ideia de ideologia, ou forma de se execução (por exemplo, capitalismo, maneirismo, etc.).

Então use Homossexualidade. A terminação “-idade” indica uma característica inerente ao ser.

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