Algumas matérias e temas são tabus. Quando eles são assuntos escolares, então, é um tabu vezes 100, porque, dependendo da concepção de infância e juventude da equipe pedagógica, certos assuntos tornam-se “inadequados” para menores de idade.

A verdade, porém, é que o uso e comércio de entorpecentes, ilegais e legais (afinal, não podemos esquecer do álcool, cigarros e analgésicos) precisa acontecer na escola também.

E precisa ser de uma maneira que não soe pedante ou proselitista, pois, do contrário, o debate corre o risco de ser ridicularizado pelos alunos, na típica atitude adolescente de “Se um adulto é a favor, eu sou contra”.

Como fazê-lo? Como abordar o problema sem desagradar pessoas mais sensíveis (porque, sim, é preciso respeitar o conservadorismo, desde que ele aconteça de forma polida e tolerante às diferenças)?

 

1.      Encare a questão com sinceridade

Não adianta você falar sobre Drogas, procurando ser um bastião moral – a não ser que você, de fato, tenha nunca tenha usado nada.

Se você tentar simular um discurso que não corresponda à sua realidade, seu público (os alunos) não vai te respeitar.

Suas atitudes da juventude não devem ser um julgamento para quem você é hoje. Se no passado você usou tal ou qual substância, diga isso aos alunos, mas explique seus motivos.

(Mas claro, não defenda o uso, e não diga que você usa algo ilegal, se você usar).

 

2.      Tire o foco da substância – transforme o problema em uma questão social

Por que alguém usa uma substância como maconha, cerveja ou codeína? Porque essa pessoa tem certa necessidade que apenas aquela substância pode proporcionar.

Vamos falar com sinceridade: nossa estrutura social causa impactos emocionais nas pessoas, e algumas buscam uma “fuga” ou “refúgio” nos efeitos de drogas. Principalmente, quando estamos falando em drogas pesadas.

Mas, se elas são tão pesadas, porque as pessoas ainda assim as utilizam? Há uma questão social no uso de drogas, que poderia ser evitada com políticas públicas adequadas, acesso à tratamentos psicológicos, entre outros.

Esse assunto, enfim, é o que deveria iniciar qualquer debate, quando o assunto é a prevenção do uso de drogas.

 

3.      Use referências culturais, mas sempre de forma crítica

Existe, e isso é um consenso entre os educadores, uma cultura de romantizar as drogas, principalmente na cultura norte-americana.

Seja na série do professor de química que vira produtor de MDMA, na música do rapper pro-cannabis ou nos megalômanos comerciais de cigarro com cowboys…

Usar essas referências para abordar a questão é essencial. Mas ela deve ser feita de forma crítica. Questionando as personagens estarem agindo daquela maneira, questionando a legitimidade das ações, etc.

 

4.      Evite julgar

Se o seu aluno usa ou já usou alguma substância, evite julgar. O mundo já vai julgar ele demais. Seu papel é o de educar, de apontar considerações sobre o assunto e orientar na formação crítica e autônoma dos estudantes.

Logo, quando alguém fala que usa drogas, não julgue. Primeiro, procure entender os porquês daquele uso.

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