Data polêmica, mas necessária é o Dia da Consciência Negra, dia 20 de novembro. Atribuída ao dia em que Zumbi dos Palmares foi morto por tropas portuguesas, seu sentido no século 21 é ser um dia de debates sobre racismo, políticas econômicas e culturais para pessoas afrodescendentes, entre outras.

Porém, como dissemos, a data é polêmica.

Entre as principais críticas à data, há o fato de que ela reforçaria a distinção entre pessoas (pessoas negras e não-negras) e a de que ela é demasiadamente artificial.

(Além daquela, sobre a moralidade de Zumbi, mas isso pode ser dito também sobre Tiradentes, Pedro I etc.).

Já entre seus defensores, há os que apontam para a necessidade de se levantar as pautas do preconceito e valorização da cultura negro-brasileira, tanto na escola, quanto nas mídias. Um apontamento verdadeiro, diga-se de passagem.

Porém, há ainda uma terceira via: a de que aponta para a necessidade de levantarmos as pautas do 20 de novembro, porém, notando que apenas um dia por ano é insuficiente.

Assim, como trabalhar o 20 de novembro em outros dias?

 

O decolonialismo

O neocolonialismo e a descolonização (também chamada de decolonialidade), bem como o ensino descolonizado, são assuntos que já trouxemos no blog do Pensar Cursos.

E, como você pode ler nos artigos, são conceitos que tratam da influência simbólica ou real, da cultura e economia de países da Europa Ocidental e América do Norte, sobre o resto do mundo, mesmo quando esses países são independentes.

Isso significa que, se no 20 de Novembro há pautas antirracistas na escola e nos meios de comunicação, nos outros dias é essencial que elas também existam. Senão, de fato, será um único dia, para enfrentar um discurso que é sustentado, durantes todos s outros 364.

 

Práticas cotidianas

Primeiro, é vital que exista um revisionismo das práticas cotidianas do ambiente escolar. Do primeiro ao último dia de aula, o foco das ações docentes deve ser no sentido de enfrentamento ao racismo instituído.

Não basta dizer que a cultura negra é importante.

O professor deve olhar para si, e repensar suas práticas. Quantas vezes, um docente não elogiou alunos com o cabelo liso ou alisado, apesar de ignorar (ou mesmo criticar) cabelos crespos?

Esse tipo de comportamento acontece, mesmo que de forma incidental e não-intencional. Assim, a primeira prática é aceitar que fazemos isso e, diante dessa aceitação, começar a vigiar nossas ações e falas, no intuito de mudá-las

 

Repensando conteúdos

Segundo, repensar os conteúdos de outras matérias é vital, para mudar a forma com ícones e pautas relativos à pessoas negras sejam abordados.

Por exemplo, questões como a suposta superioridade europeia em questões matemáticas – afinal, povos africanos e asiáticos também têm uma extensa tradição em ciências exatas.

Um ensino interdisciplinar, que envolva tradições científicas europeias, africanas e asiáticas é vital para combatermos a falta de protagonismo e (ilusória) superioridade da tradição branca, na produção do conhecimento.

Discutir racismo sem discutir o protagonismo de outros povos é, nada, além de sustentar problemas antigos.

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