Quando vamos falar sobre contos fantásticos, existem alguns subgêneros, dentro de um eixo maior.

O primeiro deles, o mais conhecido, provavelmente são os mitos e lendas. Esses, queriam ou não queiram, são contos fantásticos, porque são histórias nas quais a realidade concreta é subvertida e transformada.

Aqui, os autores mais conhecidos são, quase sempre anônimos, porque as origens das lendas se confundem com a própria origem das sociedades humanas.

Por exemplo, Homero (cuja própria existência é contestada): quem ensinou a Homero sobre Odisseu, a deusa Atenas entre outros? Não sabemos, apenas acessamos a narrativa e o que sobrou dela.

Então, temos os contos de fadas. Eles se confundem um pouco com as lendas, mas quase todos os que conhecemos hoje têm autores conhecidos, como Perrault e Andersen. Nos contos de fadas, magia é inquestionável e compõe a realidade.

Depois, temos os contos de terror, nos quais monstros e almas surgem como uma realidade misteriosa e esquecida, como nos livros de Poe, Stephen King e Lovecraft.

Em meados do século 19, começam a aparecer os primeiros contos de ficção científica – quando os avanços da tecnologia, e as possibilidades da ciência são abordados por autores como Verne e Asimov.

Por fim, temos algo muito nosso: o Realismo Mágico/Fantástico.

 

Fantasmas Latino-Americanos

O realismo fantástico é um fenômeno que surge, com muito mais força, na América Latina, do que em qualquer outra parte do mundo.

Um dos primeiros livros conhecidos é Pedro Páramo do mexicano Juan Rulfo, de 1955, livro com fantasmas e espíritos.

Isso porque, no realismo fantástico, em geral, o aspecto mágico ou místico surge dentro de uma realidade extremamente concreta. E de forma muito ligada a ela.

O livro Cem Anos de Solidão do colombiano Gabriel Garcia Márquez de 1967, é o exemplo perfeito: é a história de uma cidade, e suas tramas políticas, mas com toques fantasiosos, como por exemplo, a aparente sensação de que esta está isolada do mundo.

 

Metáforas políticas

O principal autor que influencia os realistas fantásticos é Kafka, autor que usa o fantasioso para falar de política.

A questão política aparece no realismo fantástico, porque quase sempre, os autores dessa linha viviam em ditaduras. Por isso, toda a parte fantasiosa surge como uma metáfora de censura, repressão e perseguição.

O conto Casa tomada de do argentino Cortazar é um exemplo: seres misteriosos, não reveladas, entram na casa duma família e expulsam eles de lá – os antigos moradores aceitam, sem questionar.

No brasil, autores como José J. Veiga, Murilo Rubião e Hermilo Borba Filho produzem contos em que o fantástico aparece sob a forma de um choque, entre a tradição rural o progressismo ditatorial.

Em um conto de Borba Filho, um general pinta um quadro, usando o sangue de uma criança junto das tintas. Já no romance canônico A Hora dos Ruminantes de Veiga, bovinos surgem do nada, para ocupar as ruas de uma cidade.

Já o dramaturgo Dias Gomes faz uma das novelas de realismo fantástico mais conhecidas: Saramandaia de 1976.

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