Quem é professor sabe que muitos alunos são complicados por razões das mais diversas. Algumas, maiores que eles. É o caso de alunos oriundos de lares com vulnerabilidade social (alcoolismo, violência, assédios etc.).

Tais crianças apresentam problemas não apenas em seus comportamentos. Também, e principalmente em seus aprendizados.

 

Como traumas atrapalham o aprendizado?

Uma criança que sofre um trauma associa certos comportamentos e falas a uma ação negativa. E a parte do cérebro que cuida de “proteger” o cognitivo, a base do cérebro, vai responder a isso da única forma que, no caso de uma criança, consegue: pelos comportamentos instintivos.

Além dessas respostas, muitas vezes, serem extremamente preocupantes e violentas (agressões físicas e verbais, espasmos, atos como se esconder ou fugir da sala, incapacidade de responder – “travar”), a reação do tronco cerebral infantil a uma situação semelhante ao trauma atrapalha seu conhecimento.

Isso porque o córtex, área responsável pelo aprendizado de conhecimentos mais abstratos não consegue aprender informações novas, eficientemente, enquanto o troco estiver recebendo estímulos negativos.

Isso leva a dois problemas: primeiro, o aluno é taxado como difícil, e o professor e a escola, devido a seus problemas estruturais (burocratização, falta de verba, entre outros) simplesmente “desiste” desse estudante.

E, depois dos vinte e cinco anos, mais ou menos, curar transtornos cerebrais causados por traumas é muito mais complexo e demorado.

Segundo, uma saída que é cada vez mais empregada: a medicalização dessa criança. Se taxa ela com alguma síndrome, e receitam-se remédios (muitas vezes) de efeitos colaterais devastadores.

Entretanto, a escola pode minimizar esses problemas, com algumas medidas simples. Claro que são ações, em alguns casos, complementares a uma intervenção psicológica (e até medicamentosa), quando é o caso.

Mas, minimamente que sejam, já oferecem grande auxílio. Confira:

 

Crie um ambiente de segurança para a criança

Criar um ambiente de segurança significa estabelecer uma série de medidas e comportamentos, que visam reduzir “gatilhos” que farão o tronco do cérebro inconscientemente (ou até a criança, conscientemente) reviver o trauma.

Evite palavras agressivas e tons de voz que possam soar violentos. Permita que o estudante manifeste seu desagrado sem repressões ou julgamentos. Mostre abertura para ouvi-lo, e procure compreender o que está sendo dito.

 

Crie vínculos entre o estudante e a equipe docente

Outra questão fundamental para lidar com crianças traumatizadas é a falta de vínculos afetivos que essa, eventualmente, tem.

Por vezes a criança vem de um lar desfeito, sem pais presentes, ou demonstrações de afeto, apoio e aceitação.

Logo, por vezes, o professor precisa dedicar momentos de suas aulas a fortalecer vínculos emocionais com os estudantes. Mostrar que se importa com o estudante, que entende sua raiva, mas que está disposto a auxiliar, entre outros.

Além disso, exercícios como de respiração, ou de sensibilização com música. Isso é, exercícios que possibilitem o estudante se acalmar, criar vínculos emocionais concretos com o espaço e a equipe, e veja, nesses, figuras de apoio.

Contra respostas instintivas, palavras abstratas são ineficientes.

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