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Drama de muitos estudantes que vão prestar concursos como ENEM ou vestibulares, as obras literárias são muitas vezes extensas, e algumas com uma linguagem difícil, devido à distância cronológica, ou pelo estilo da linguagem.

Assim, diversos candidatos optam por uma saída que, em um primeiro momento, parece mais fácil: assistir à adaptação do livro, em filme ou série.

Eu, como professor, sei que esse é um recurso muito utilizado, e realmente não julgo o estudante que faz isso, se o problema for a falta de tempo.

Entretanto, se a questão aqui é a dificuldade, não há muito o que fazer: estudar é justamente isso, aprender coisas novas, cada vez mais difíceis, incluindo aí a leitura crítica de obras literárias.

Até porque… O filme não substituí a obra! Entenda o porquê.

 

1.      Linguagens diferentes

Uma obra literária conta, em 99% dos casos, apenas com o recurso do texto. Existem autores que mesclam fotos e outros recursos gráficos, mas esses são poucos.

Em quase todos os romances, novelas e livros de contos, tudo o que temos é um texto. E como texto, o autor precisa criar um clima.

Esse clima se dá de meios muito diversificados.

Ele pode falar que a personagem está com medo ou pode sugerir que a personagem está com medo, por exemplo. O narrador pode descrever coisas extremamente banais, para criar uma atmosfera na cena. Sem falar nos diálogos interiores da personagem.

Grande parte desses recursos se perde no cinema. O cinema é uma linguagem que tem outros recursos, praticamente impossíveis de se reproduzir num livro: música, fotografia, atuações…

Ver um filme não é conhecer a obra. É conhecer uma interpretação sobre ela.

 

2.      Mudanças de enredo

Por mais que pareça uma ideia absurda, mudanças de enredo são muito mais comuns do que se pensa.

Por vezes, o roteirista ou a produção muda um detalhe, suprime personagens, cria outras, dá um final novo pra história…

Filmes como O Iluminado ou Forrest Gump tiveram mudanças drásticas no enredo, sabia?

 

3.      Editando informações

Filmes têm, em geral, 100 minutos – 1 hora e meia, mais ou menos. Um livro, por menor que seja, não se lê em tão pouco tempo.

Logo, filmes cortam muitas partes. Mesmo um filme de 3 horas, como O Senhor dos Anéis, também deixou muita coisa de fora (como o misterioso e importantíssimo personagem Tom Bombadil).

Ou seja, ver um filme não é ler o livro, mas conhecer uma parte do livro.

 

4.      E a imaginação?

Outra coisa que livros fazem, e que é quase impossível reproduzir de outra forma, é estimular nossa imaginação e criatividade.

A personagem Heathcliff d’O Morro dos Ventos Uivantes tem uma descrição quase animalesca, que reforça, em muito, sua personalidade. Porém, a imagem completa depende da subjetividade do leitor.

Quando temos um ator dando rosto à personagem, perdemos essa subjetividade – e com ela, a complexidade da personagem.

Perdemos parte de um recurso exclusivo da literatura: a imaginação.

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