Quando vamos falar de aulas de português na escola, uma das matérias que mais aflige a todos os alunos, e também a alguns professores, é a Gramática.

A matéria que ensina a pensar uma língua de forma sistemática e analítica, de fato, não é tão tranquila ou divertida quanto é, por exemplo, redação (onde o aluno pode usar a criatividade). Mas é uma matéria que, geração após geração, é ensinada na escola.

Por quê? Não sabemos falar a língua? Então qual é a importância de aprender a sistematização dela? Qual a importância de se aprender nomenclaturas?

 

Sistematizar algo que conhecemos “do berço”

Estudar a Gramática não significa aprender uma língua e sim, sistematizar um conhecimento sobre ela. Principalmente, quando falamos de aulas de estilística. Tanto é que, em língua estrangeira, raramente aprendemos coisas como análise sintática.

É claro que temos um conhecimento da nossa língua que é inato. Mas esse conhecimento é muito voltado a referenciais concretos, e ele é um tanto limitado, se formos pensar em palavras abstratas, como por exemplo advérbios (muito, pouco, brevemente, não, etc…).

O que a Gramática faz é uma sistematização desse conhecimento. Mais do que isso, os estudos de Gramática auxiliam na ampliação desses conhecimentos, e a possibilidade de desenvolver habilidades de comunicação escrita e verbal.

Isso é, com os estudos de gramática, podemos aprender formas de como desenvolver nossos textos, como usar a língua de uma forma diferenciada – a fim de expressar mensagens de forma diferenciada – e como interpretar textos e falas mais formais ou de gêneros textuais diversos.

 

Estudar gramática é aprofundar um conhecimento sobre a sociedade

Outro ponto importante dos estudos de gramática diz respeito ao aprofundamento de certos conhecimentos e habilidades que desenvolvemos, quando somos ensinados sobre o funcionamento de regras sociais.

Uma crítica, muito justa, a esse ponto, é de que as regras sociais são preconceituosas, elitistas e muito artificiais (refletem algo que é uma convenção social, mera burocracia).

De fato, por vezes, passamos por essas situações em estudos linguísticos e de línguas. As regras formais das línguas, muitas vezes, excluem pessoas que não falam sob certas regras ou usando certo vocabulário.

O estudo da Gramática, nesse sentido, pode ser uma forma de enfrentar essa situação.

Como assim?

Primeiro, porque, para enfrentar um problema, é preciso reconhecê-lo. É preciso entender como acontece esse problema, e por quê.

Os estudos formais de Gramática Normativa (isso é, a gramática de regras), auxilia nesse reconhecimento. Instrumentaliza o estudante sobre essas questões e permite que ele questione sobre regras linguísticas sociais.

 

A gramática não precisa (e nem deveria) ser estudada isoladamente

As considerações do último tópico podem levar alguém a questionar se isso acontece, de fato, em uma aula sobre coisas como “Adjuntos Adnominais” ou “Inflexões verbais”.

Essa questão deve ser pensada a partir da noção de transdisciplinaridade.

Ou seja, não se trata de limitar o debate à Gramática, mas sim, estudar ele em dialogo com outras matérias (Historia, Sociologia, Geografia) e em projetos de formação extracurricular.

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