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Morta em 15 de dezembro de 2021, a pedagoga e ativista norte americana Glória Jean Watkins (1952-2021), mais conhecida pelo nome de bell hooks (assim, em letra minúscula, em homenagem a avó) foi uma das maiores ativista do século 21, em prol do feminismo negro interseccional.

Quando sua passagem foi anunciada sua passagem, ativistas, pesquisadores e sociólogos de todo o mundo lamentaram imensamente. Sua fama, aqui no Brasil era relativamente recente, embora desde meados dos anos 80, ela já fosse lida por pesquisadoras como Beatriz Nascimento e Sueli Carneiro.

Entretanto, foi a partir dos artigos de Djamila Ribeiro, na década de 2010 que hooks ganhou a atenção de círculos universitários, e, por extensão, jornalísticos.

A partir de 2019, com as traduções de Stephanie Borges, para a editora Elefante, hooks ganhou a atenção do público brasileiro.

Mas afinal, porque ela é uma autora tão importante, atualmente? Qual sua relevância, para os estudos sociais brasileiros?

 

Uma leitora de Paulo Freire nos Estados Unidos

Hooks foi uma pesquisadora americana, que se distingue de alguns de seus conterrâneos, por suas fontes de pesquisas.

Uma delas é um autor tão caro a nossa Educação: o pernambucano Paulo Freire.

Nosso patrono da educação foi uma profunda influência para bell hooks, quando ela se propõe a pensar novas formas de entender uma educação humanista e antipreconceituosa. Seu pensamento é, na esteira de Freire, no sentido de romper com tradições conservadoras.

Isso é, seu pensamento é no sentido de uma educação libertadora.

Um de seus mais famosos livros é Ensinando a Transgredir (1994), no qual as teorias de Paulo Freire são retomadas, para criar um estudo crítico, acerca de propostas para uma educação antirracista.

Logo, hooks propõe um revisionismo histórico, no sentido de evidenciar aspectos racistas em práticas pedagógicas. Assim, sua obra é essencial para repensarmos os currículos educacionais do Brasil do século 21. Hooks complementa Freire, naqueles aspectos que o grande autor não teve tempo de se aprofundar.

 

Por um Feminismo Interseccional

Outro ponto da teoria de hooks que criou um parâmetro, nos estudos sociais, é no que se refere ao Feminismo Interseccional.

Essa perspectiva já era defendida por Angela Davis, desde os anos 70. Davis nota que os movimentos feministas, desde as campanhas pró-sufrágio universal, no início do século 20, eram extremamente classistas.

Isso é, eram movimentos de mulheres, em sua maioria, de elites. Logo, preconceitos de raça e classe econômico não eram englobados nas pautas das ativistas.

A partir dessa ideia, hooks lança um estudo focado em formas de dar continuidade aos movimentos feministas transgressores, teorizados por Angela.

Enquanto Davis lança luzes sobre a importância de romper com padrões de ativismo social tradicional, bell hooks aprofunda os debates sobre como inserir essas pautas na sociedade tradicional.

Sua obra é profundamente crítica ao patriarcado tradicional, mas não apenas no sentido de “Família nuclear”, mas sim, acerca de todas as estruturas sociais intrínsecas a esse.

Por esses motivos é que sua obra merece ser ainda muito avaliada e reproduzida.

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