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Traduzir um texto, seja ele do gênero que for, não é uma tarefa simples. o grande professor, poeta e tradutor Haroldo de Campos já apregoava: traduzir é trair.

Uma língua é um enorme sistema de palavras e significados próprios, alguns de profundo enraizamento cultural, de forma que, em outra língua (ou mesmo em outro país que fala aquela língua), certa palavra ou frase não tem sentido algum.

Logo, traduzir alguns textos pode ser um verdadeiro trabalho hercúleo, com duração de toda uma vida. Isso não significa que a tradução de um texto técnico ou jornalístico – em teoria, mais objetivo – seja fácil.

Veja quais são algumas das maiores dificuldades, que um tradutor encontra.

 

1.      Linguagem coloquial

A linguagem coloquial é muito complexa de se traduzir. Isso porque coloquialismos envolvem, primeiramente, a identificação do emissor com uma localização geográfica-temporal.

Um exemplo prático é o de um romance como o de Guimarães Rosa, que usa bastante do vocabulário popular do sertão brasileiro.

Mas se formos pensar em uma reportagem, uma entrevista, ou um auto jurídico, identificamos coloquialismo também, nesses gêneros.

A linguagem coloquial envolve gírias, expressões idiomáticas, palavras escritas/faladas de formas inusitadas (“bife de largato”, “mindigo” etc.).

Traduzir coloquialismos envolve optar por um recorte temporal geográfico específico. De forma clara: se formos traduzir Guimarães Rosa para o inglês, ele deve soar como um agricultor da Escócia ou um cowboy do Wyoming?

 

2.      Especificidades técnicas

Traduzir textos técnicos é mais simples em um ponto, mas muito mais complexo em outro.

É simples, no sentido de que a linguagem técnica não envolve grandes variações. Você precisa aprender textos técnicos extremamente especializados, mas, após aprender e dominar eles, o trabalho não traz grandes novidades.

Porém, uma tradução técnica é algo muito complexo, justamente por envolver aprender vocabulários tão específicos, em pelo menos duas línguas.

Ou seja, você vai se especializar em tradução de bulas de remédios: há uma enorme gama de vocabulário de farmacologia a ser aprendido, em pelo menos duas línguas diferentes. um tradutor técnico estuda: línguas e teorias da técnica que ele traduz.

 

3.      Especificidades composicionais

Quando lemos uma reportagem de jornal, em um primeiro momento, ali não aprece ter grande especificidade composicional. É um texto relatando um acontecimento, certo? Algo diferente, por exemplo, de um poema.

Porém, o fato é: todos os gêneros têm especificidades composicionais.

“Coisinhas” textuais, que fazem um texto ser uma receita de bolo, e não um guia de como montar um armário, por exemplo (embora ambos sejam textos de orientação).

Essas especificidades podem ser mais óbvias, como em uma reportagem, ou mais técnicas, como em um texto jurídico. E, a depender de uma série de questões culturais, mudar, de um país para outro.

Por exemplo, em alguns gêneros, enfatiza-se o modo imperativo. Em outros, o autor opta por colocar pronomes indefinidos, com o intuito de deixar o texto com seu significado mais em aberto.

Essas especificidades composicionais são adquiridas pelo estudo e domínio das línguas envolvidas, e amplo conhecimento gramatical de ambas.

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